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Do Coletiva. Net

O técnico da Seleção Brasileira, Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga, foi a atração da noite desta quinta-feira, 13, no Centro Universitário Metodista IPA. Contrariando sua fama de reservado, foi com bom humor que participou por cerca de duas horas de uma entrevista coletiva com estudantes de Jornalismo. Entre os temas abordados estavam início de carreira, relação com a imprensa, ídolos, Seleção Brasileira, convocações, pressão de jornalistas e sua experiência como comentarista da Band. Conhecido por sua liderança em campo, iniciou sua carreira profissional, em 1981, no Internacional e foi no clube colorado que pendurou as chuteiras, em 1999. Nos 18 anos de atuação, registrou 96 jogos pela Seleção Brasileira e obteve 26 títulos como jogador.
Dunga e a imprensa gaúcha foi um dos temas destacados na pauta do encontro. O técnico afirmou que, apesar de ser gaúcho, sua relação com a imprensa do Rio Grande do Sul é conturbada. “Trato todo mundo da mesma forma, seja na Seleção ou fora dela. Acredito na amizade, mas não priorizo os jornalistas do Estado e eles também não poupam críticas por eu ser gaúcho. Lógico que quem pega mais pesado comigo são os jornalistas do eixo Rio-São Paulo, mas, por incrível que pareça, minha relação com a imprensa daqui é bem tumultuada. Tem jornalista que vai bater na porta da minha casa às 7h e acha que vou atendê-lo porque eu sou gaúcho. Claro que não! A CBF tem assessor e ele que deve agendar a entrevista, porque se eu atender um hoje, vai ter outro amanhã também”, conta.
Apesar da descrença inicial, o técnico elogiou a performance das mulheres que atuam com o jornalismo esportivo. “No início não acreditava muito não, porque só botavam mulheres bonitas. Mas elas foram se aperfeiçoando e estudando e a sensibilidade feminina é uma característica favorável para lidar com o futebol, pois elas enxergam mais que os homens. Se não abrirmos o olho, elas vão dominar!”, disse. O apoio aos jovens e profissionais que estão no início de carreira foi destacado por Dunga. “Se eu tiver que dar uma declaração exclusiva, vou dar a entrevista para quem está começando. Acho que temos que apoiar e dar espaço aos jovens.”
Quanto à fama de ser ríspido com jornalistas, Dunga acredita que seja mal-interpretado: “Essa minha forma rude e seca, às vezes, as pessoas da imprensa não entendem. Acabo sendo tachado de centralizador ou, como me apelidam aqui no Sul, de gerente de campo. Mas claro que sou, afinal quero mandar porque a responsabilidade é minha. O líder não é uma pessoa amada por todos, porque ele vem pela mudança e nós não gostamos de mudanças”. Ele ainda comentou sobre as respostas que dá aos profissionais do meio quando a pergunta não lhe agrada. “Se eles querem ouvir respostas inteligentes, têm que fazer perguntas inteligentes. Se der margem, vou responder de uma forma que não vão gostar. Costumo usar a frase ‘certifique-se de que o cérebro está interligado com a boca’ para definir a situação. Acho que todo o treinador deveria fazer um curso de Jornalismo para entender a profissão, assim como todo o jornalista deveria fazer um curso de Educação Física para aprender a não falar besteira”, brinca.
criado por Tiano Araujo
08:33:48